Acidente de trabalho: o que fazer nas primeiras 24 horas?
Primeiro, preste socorro ao trabalhador e acione atendimento médico. Depois, emita a CAT pelo eSocial até o primeiro dia útil seguinte, imediatamente em caso de morte. Preserve o local do acidente e inicie a investigação interna antes que as condições se alterem.
O que fazer no momento do acidente?
A prioridade é a pessoa. Acione o socorro interno, se houver brigada ou ambulatório, e o atendimento de emergência em casos graves. Em suspeita de trauma na coluna ou fratura, a vítima não deve ser movida sem orientação de quem tem treinamento de primeiros socorros, exceto diante de risco imediato, como incêndio ou vazamento. Registre o horário de cada acionamento: essa informação será necessária mais tarde.
Designe uma pessoa para acompanhar o trabalhador ao atendimento médico e para manter contato com a família. A liderança da área deve interromper a atividade no ponto do acidente e afastar os demais trabalhadores de qualquer risco remanescente. Máquina envolvida no acidente fica desligada e bloqueada até a avaliação.
Quando e como emitir a CAT?
A CAT, Comunicação de Acidente de Trabalho, deve ser emitida até o primeiro dia útil seguinte ao acidente. Em caso de morte, a comunicação é imediata. O prazo vale mesmo quando o trabalhador não se afasta das atividades.
A emissão é feita no eSocial, pelo evento S-2210, com dados do trabalhador, do acidente, da lesão e do atendimento. Guarde o número do recibo: ele comprova o cumprimento do prazo. O evento alimenta os registros previdenciários do trabalhador junto ao INSS, inclusive para fins de benefício.
Se a empresa não emitir, o próprio trabalhador, o sindicato, o médico que prestou atendimento ou a autoridade pública podem registrar a CAT. A omissão sujeita a empresa a multa administrativa e costuma ser lida como indício de descaso em eventual processo.
Por que preservar o local do acidente?
O local do acidente guarda as evidências do que de fato aconteceu. Posição de equipamentos, ferramentas, marcas no piso e condições de iluminação ajudam a reconstruir a sequência de eventos. Alterar o cenário antes dos registros compromete a investigação interna e qualquer perícia futura.
A regra prática é simples: o local só deve ser modificado para socorrer a vítima ou para eliminar risco imediato a outras pessoas. Fora dessas duas situações, isole a área, fotografe de vários ângulos, filme se possível e registre data e hora de cada imagem. Se um equipamento precisar ser liberado rapidamente por razão operacional, documente tudo antes, com fotos, vídeo e testemunhas.
Como conduzir a investigação interna?
A NR-1 determina que a organização analise os acidentes e as doenças relacionadas ao trabalho. O objetivo é identificar causas, incluindo falhas de processo e de gestão. Investigações voltadas a apontar culpados tendem a esconder as condições que produziram o acidente, e essas condições permanecem ativas. Métodos simples, como a análise de porquês encadeados, funcionam bem quando aplicados com honestidade.
Envolva a CIPA, quando existir, o responsável técnico de SST e a liderança da área. Ouça as testemunhas separadamente, ainda nas primeiras horas, enquanto os detalhes estão frescos. Registre os relatos por escrito, com identificação e data.
O resultado deve alimentar o PGR. Risco novo entra no inventário de riscos, e as medidas de controle entram no plano de ação, com prazo e responsável definidos.
Qual é o checklist das primeiras 24 horas?
O resumo abaixo pode ser impresso e incorporado ao plano de resposta a emergências da empresa. A ordem importa: pessoas primeiro, documentos em seguida.
- Prestar socorro imediato e acionar atendimento médico, SAMU 192 em casos graves
- Interromper a atividade e isolar o local do acidente
- Comunicar liderança, RH e responsável de SST
- Acompanhar a vítima e informar a família
- Fotografar o local e recolher evidências antes de qualquer alteração
- Emitir a CAT no eSocial até o primeiro dia útil, imediatamente em caso de morte
- Ouvir testemunhas ainda no primeiro dia
- Abrir a investigação de causas e registrar a linha do tempo completa
Como se preparar antes que o acidente aconteça?
Empresas que respondem bem a acidentes decidiram os detalhes com antecedência. Um plano de resposta define quem aciona o socorro, quem comunica a família, quem emite a CAT e quem fala pela empresa. Sem essa definição, as primeiras horas viram improviso. Treinamento periódico de brigada e simulados curtos mantêm o plano vivo.
A comunicação interna também merece preparo. Um único porta-voz, informação transparente para a equipe da área e registro escrito de toda a linha do tempo reduzem boatos e inconsistências. Esses registros sustentam a investigação e a resposta a questionamentos futuros.
A Marsafe estrutura planos de resposta a emergências e rotinas de investigação de acidentes junto aos clientes. Um diagnóstico presencial mostra em que ponto a empresa está hoje e quais lacunas merecem prioridade.
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