Rotina de SST

Acidente de trabalho: o que fazer nas primeiras 24 horas?

·4 min de leitura ·por Marsafe Segurança do Trabalho

Primeiro, preste socorro ao trabalhador e acione atendimento médico. Depois, emita a CAT pelo eSocial até o primeiro dia útil seguinte, imediatamente em caso de morte. Preserve o local do acidente e inicie a investigação interna antes que as condições se alterem.

O que fazer no momento do acidente?

A prioridade é a pessoa. Acione o socorro interno, se houver brigada ou ambulatório, e o atendimento de emergência em casos graves. Em suspeita de trauma na coluna ou fratura, a vítima não deve ser movida sem orientação de quem tem treinamento de primeiros socorros, exceto diante de risco imediato, como incêndio ou vazamento. Registre o horário de cada acionamento: essa informação será necessária mais tarde.

Designe uma pessoa para acompanhar o trabalhador ao atendimento médico e para manter contato com a família. A liderança da área deve interromper a atividade no ponto do acidente e afastar os demais trabalhadores de qualquer risco remanescente. Máquina envolvida no acidente fica desligada e bloqueada até a avaliação.

Quando e como emitir a CAT?

A CAT, Comunicação de Acidente de Trabalho, deve ser emitida até o primeiro dia útil seguinte ao acidente. Em caso de morte, a comunicação é imediata. O prazo vale mesmo quando o trabalhador não se afasta das atividades.

A emissão é feita no eSocial, pelo evento S-2210, com dados do trabalhador, do acidente, da lesão e do atendimento. Guarde o número do recibo: ele comprova o cumprimento do prazo. O evento alimenta os registros previdenciários do trabalhador junto ao INSS, inclusive para fins de benefício.

Se a empresa não emitir, o próprio trabalhador, o sindicato, o médico que prestou atendimento ou a autoridade pública podem registrar a CAT. A omissão sujeita a empresa a multa administrativa e costuma ser lida como indício de descaso em eventual processo.

Por que preservar o local do acidente?

O local do acidente guarda as evidências do que de fato aconteceu. Posição de equipamentos, ferramentas, marcas no piso e condições de iluminação ajudam a reconstruir a sequência de eventos. Alterar o cenário antes dos registros compromete a investigação interna e qualquer perícia futura.

A regra prática é simples: o local só deve ser modificado para socorrer a vítima ou para eliminar risco imediato a outras pessoas. Fora dessas duas situações, isole a área, fotografe de vários ângulos, filme se possível e registre data e hora de cada imagem. Se um equipamento precisar ser liberado rapidamente por razão operacional, documente tudo antes, com fotos, vídeo e testemunhas.

Como conduzir a investigação interna?

A NR-1 determina que a organização analise os acidentes e as doenças relacionadas ao trabalho. O objetivo é identificar causas, incluindo falhas de processo e de gestão. Investigações voltadas a apontar culpados tendem a esconder as condições que produziram o acidente, e essas condições permanecem ativas. Métodos simples, como a análise de porquês encadeados, funcionam bem quando aplicados com honestidade.

Envolva a CIPA, quando existir, o responsável técnico de SST e a liderança da área. Ouça as testemunhas separadamente, ainda nas primeiras horas, enquanto os detalhes estão frescos. Registre os relatos por escrito, com identificação e data.

O resultado deve alimentar o PGR. Risco novo entra no inventário de riscos, e as medidas de controle entram no plano de ação, com prazo e responsável definidos.

Qual é o checklist das primeiras 24 horas?

O resumo abaixo pode ser impresso e incorporado ao plano de resposta a emergências da empresa. A ordem importa: pessoas primeiro, documentos em seguida.

  • Prestar socorro imediato e acionar atendimento médico, SAMU 192 em casos graves
  • Interromper a atividade e isolar o local do acidente
  • Comunicar liderança, RH e responsável de SST
  • Acompanhar a vítima e informar a família
  • Fotografar o local e recolher evidências antes de qualquer alteração
  • Emitir a CAT no eSocial até o primeiro dia útil, imediatamente em caso de morte
  • Ouvir testemunhas ainda no primeiro dia
  • Abrir a investigação de causas e registrar a linha do tempo completa

Como se preparar antes que o acidente aconteça?

Empresas que respondem bem a acidentes decidiram os detalhes com antecedência. Um plano de resposta define quem aciona o socorro, quem comunica a família, quem emite a CAT e quem fala pela empresa. Sem essa definição, as primeiras horas viram improviso. Treinamento periódico de brigada e simulados curtos mantêm o plano vivo.

A comunicação interna também merece preparo. Um único porta-voz, informação transparente para a equipe da área e registro escrito de toda a linha do tempo reduzem boatos e inconsistências. Esses registros sustentam a investigação e a resposta a questionamentos futuros.

A Marsafe estrutura planos de resposta a emergências e rotinas de investigação de acidentes junto aos clientes. Um diagnóstico presencial mostra em que ponto a empresa está hoje e quais lacunas merecem prioridade.

Dúvidas rápidas

Acidente de trajeto exige CAT?
Sim. O acidente ocorrido no deslocamento entre a residência e o local de trabalho deve ser comunicado por CAT, no mesmo prazo.
Precisa emitir CAT mesmo sem afastamento do trabalhador?
Sim. A CAT deve ser emitida ainda que o trabalhador retorne às atividades no mesmo dia.
Doença ocupacional também gera CAT?
Sim. A doença relacionada ao trabalho é equiparada a acidente, e a CAT é emitida a partir do diagnóstico.
A empresa pode ser responsabilizada mesmo emitindo a CAT no prazo?
Pode. A CAT cumpre o dever de comunicar, e a responsabilidade civil depende da existência de culpa, avaliada caso a caso com base nas provas de prevenção.

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